Cada projeto é criado diretamente no seu corpo, através da técnica fe freehand.
A composição é desenvolvida tendo em conta a sua anatomia, a tatuagem a cobrir e o movimento natural da zona.
Se você tem uma tatuagem que já não o(a) representa, me conte um pouco sobre ela. Esse é o primeiro passo para entendermos as possibilidades para a sua cobertura.
Fazer uma cobertura é encontrar duas versões da mesma pessoa em um único dia. E percebo que foi isso que mais me encantou em escolher esse caminho dentro da tatuagem.
Ao longo da sessão, vejo pouco a pouco aquela tatuagem antiga se transformar. Algo que muitas vezes a pessoa escondia, evitava olhar ou simplesmente já não reconhecia como parte de si começa a dar lugar a uma nova composição. E junto com o desenho, muda também a forma como ela se olha.
É uma mudança que aparece no corpo, na postura, no brilho no olhar.
Comecei a fazer coberturas quando tinha apenas três meses de tatuagem. Na época, era um trabalho pouco valorizado e cheguei a ser questionada por escolher fazê-lo. Mas, enquanto algumas pessoas enxergavam apenas uma tatuagem antiga que precisava ser escondida, eu enxergava o que acontecia depois dela.
Vi clientes recuperarem a vontade de mostrar uma parte do corpo que escondiam há anos. Vi pessoas que tiveram experiências ruins com tatuagem voltarem a confiar em um artista e até voltarem a se tatuar.
Talvez por isso eu nunca tenha enxergado uma cobertura apenas como esconder um desenho.
Para mim, é a possibilidade de alguém olhar novamente para uma parte de si e gostar do que vê.